Saiba quanto cobram os artistas portugueses por concerto

Mariza, Anselmo Ralph e Tony Carreira são dos artistas mais bem pagos por concerto. Quim Barreiros é o mais requisitado pelas autarquias. Salvador Sobral foi dos que mais valorizou recentemente.

Numa pesquisa pelos nomes dos principais artistas portugueses no Portal Base — onde estão os contratos públicos — concluiu-se que os preços divergem bastante. O caso de Salvador Sobral no passado sábado é sui generis: marcado antes da vitória da Eurovisão, o concerto estava pensado para ter um dimensão, mas passou a ser cinco vezes maior, multiplicando os custos mas também as receitas. As comparações são difíceis de fazer — um só artista pratica diferentes valores –, mas é possível traçar o cenário dos preços atualmente praticados na indústria musical de Portugal.

O ECO fez um levantamento dos valores contratados entre os artistas e as autarquias para a realização de concertos. Só foram considerados contratos que incidam sobre concertos realizados em 2017. Além disso, foram só considerados concertos unipessoais e não em conjunto com outros artistas, o que dificultaria comparações.

Família Carreira

Os três membros do clã Carreira são dos artistas portugueses que mais cobram por concertos. Nos quatro contratos públicos publicados no Portal Base relacionados com Tony Carreira, o cantor cobra entre 30 mil euros e 39 mil euros. Contudo, em ocasiões de anos anteriores é possível ver valores mais elevados.

Quanto cobra Tony Carreira por cada concerto

O filho mais velho, Mickael Carreira, ainda não tem nenhuma entrada relativa a 2017, mas no ano passado cobrou entre 15 mil euros e 18 mil euros. Já o irmão mais novo, David Carreira, tem quatro entradas este ano, mas com uma variação considerável em termos de valores. Um concerto na Mealhada vai custar 14 mil euros — um contrato de abril –, mas um contrato de maio, em Amarante, ascende quase aos 25 mil euros.

Luísa Sobral

A irmã de Salvador Sobral deu um concerto a 20 de maio, já depois da vitória na Eurovisão enquanto compositora e letrista de “Amar Pelos Dois”. O concerto aconteceu no Convento São Francisco, num auditório com 1125 lugares. Para esse evento, em que os bilhetes variavam entre os 10 e os 12,5 euros, a Câmara Municipal de Coimbra pagou sete mil euros pelo concerto de Luísa Sobral.

No início deste ano, a 27 de janeiro, Sobral deu um concerto em Aveiro que custou 9.500 euros à autarquia local. O espetáculo ocorreu no Teatro Aveirense cuja sala principal tem capacidade para 659 pessoas. O preço por bilhete foi de 10 euros. Dias depois, a 11 de fevereiro, o Município de Alcobaça pagou 6.500 euros para um concerto da artista no Centro Cultural Gonçalves Sapinho, cujo auditório tem capacidade para 360 pessoas.

Anselmo Ralph

Um concerto com Anselmo Ralph é dos mais bem pagos em Portugal. Mesmo com a vitória na Eurovisão — um concurso internacional –, os preços dos irmãos Sobral nem se aproximam do cantor angolano. Um concerto com o artista custou 40 mil euros à Câmara Municipal de Vila Real, tal como indica um contrato publicado em maio. Em fevereiro, o Município de Pinhel (Guarda) pagou 36 mil euros. Uma análise a anos anteriores revela que o valor mais elevado foi pago pelo Município de Sertã num total de 48.500 euros.

Fadistas

Um concerto com Mariza, artista que já tem uma carreira internacional consolidada, é dos mais caros. Em abril deste ano, o Município de Vila Real pagou 40.000 euros. Em fevereiro, o Município de Castro Marim pagou 35.000 euros.

Já um concerto com a barcelense Gisela João custou 8.750 euros ao Município de Loulé, em maio, e 7.750 euros ao Município de Castro Verde, em abril. Duas apresentações em Lisboa custaram 13.200 euros à EGEAC. Um espetáculo com o fadista Camané varia entre os 9.000 euros e os 10.000 euros.

Em abril, o Município da Guarda pagou 17.500 euros por dois concertos de Ana Moura. Também em 2017, nos contratos disponíveis no Portal Base, um concerto com a fadista Carminho ficou por 10 mil euros em duas ocasiões e 12 mil euros noutras duas ocasiões. Já um concerto com a fadista Cuca Roseta custou 8.500 euros ao Município de Montemor-o-Novo.

Eis outros exemplos:

Os GNR entram também no top dos que mais cobram por um concerto. O espetáculo que a banda vai dar em agosto na Freguesia de Corroios custou 13.370 euros. Já um concerto contratado pelo Município de Oliveira de Azeméis atingiu os 17.600 euros.

Quim Barreiros não é dos artistas que mais cobra por um concerto, mas é um dos mais requisitados. Só em 2017 já se contam 11 espetáculos requisitados por instituições públicas. Os preços variam entre os seis mil euros e os 10 mil euros.

Já um concerto com os Amor Electro variou entre os 8.500 euros pagos pelo Município de Oliveira de Azeméis em fevereiro e os 13.500 euros pela Câmara Municipal de Almada em abril.

Na passagem de ano, a Câmara do Porto pagou 21.250 euros por um concerto dos Azeitonas.

Um concerto de Dengaz e a Ahya Band custou 14.200 euros ao Município de Odemira em abril deste ano.

Já um concerto com a banda The Gift custou 17.500 euros ao Município de Alcobaça em março e 10 mil euros ao Município de Vila Nova de Famalicão em abril.

Um concerto com os Deolinda custou 16 mil euros ao Município de Silves em fevereiro.

Já um concerto com o ex-Da Weasel, agora Carlão, custou 12.500 euros ao Município de Ourém em abril.

Um espetáculo com o artista Miguel Araújo vai dos 7.750 euros em Olhão até aos 19.500 euros em Santiago do Cacém.

Um concerto com António Zambujo varia entre os 8.750 euros e os 12 mil euros.

Um espetáculo do artista David Fonseca varia entre os 5.800 euros em Sever do Vouga e os 16 mil euros em Penafiel.

Um concerto da banda HMB custou seis mil euros ao Município de Castro Verde.

Um espetáculo com Pedro Abrunhosa varia entre os 11.500 euros e os 26.500 euros.

Um concerto da artista Aurea varia entre os 7.500 euros e os 15.500 euros.

Um concerto de Rui Veloso vai custar 35.000 euros ao Município de Viana do Castelo.

Um espetáculo de Rita Guerra varia entre os 8.750 euros e os 10.500 euros.

 

De ressalvar que, através destes contratos, não é possível saber o enquadramento à volta do concerto, nomeadamente a logística ou o número real de bilhetes vendidos. Além disso, é preciso esclarecer que este também não é o valor dos cachets dos artistas, mas o montante global pago pelos serviços.

Author: PLE

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